Capítulo 4 Diário de uma medrosa Sobre a vida

CAPÍTULO 4 – SOBRE MUDANÇAS, FAMÍLIA, AMIGOS E FAZER 29 ANOS.

Vida atribulada, comecei um novo curso que estou simplesmente apaixonada. Falarei um pouco no final.

Desde o último post muita coisa aconteceu!

2017 começou e junto com ele coloquei em prática várias resoluções (sim, sou dessas), mas vou falar de duas em específico:
1. Não quero mais ter enxaquecas.
2. Não quero mais ter bruxismo.

E foi assim que todo o processo de mudança começou. Quebrando tabus familiares, remexendo no passado, tendo conversas profundas e esclarecedoras com pessoas que eu amo demais, Mamis e Brothers <3.

Tudo isso porque eu entendi que preciso mudar atitudes mecânicas que tenho desde pequena. Preciso entender vários porquês de ser como eu sou, cada evento que foi acontecendo e deixa uma marca na minha vida e foi moldando minha personalidade. Respostas nocivas do meu inconsciente que limitam pensamentos. Posso dizer que é uma experiência incrível e assustadora ao mesmo tempo. Ainda estou nos 5% do que quero completar. Scandisk C:

Quem diria que querer arrumar uma coisa fosse causar uma avalanche de sentimentos e pensamentos e tirar a casquinha das feridas para descobrir uma pele nova por baixo.

Mudei minha alimentação, estou atenta aos avisos do meu corpo e agora estou ouvindo minha mente. Tipo, REALMENTE me ouvindo por inteiro, trocando altas ideias comigo mesma, me questionando, me entendendo. Comecei um diário de estilo de vida no qual preciso anotar coisas TODOS OS DIAS!

As pessoas que sofrem de enxaqueca provavelmente já sentiram isso. A tristeza que vem acompanhada com a crise. Não é fácil. Eu já perdi vários eventos que eu considero importante, perdi vários dias de trabalho, tenho medo de sentir dores de cabeça. Marcar compromissos e saber que se eu tiver dores naquele dia, não poderei ir. É frustrante, irritante. Mas decidi que não vou mais sentir culpa pelas dores, aceitei que sofro enxaqueca, paciência. Mas veja bem, não é porque eu aceitei que eu tenho enxaqueca que eu não vou fazer nada pra mudar isso.

E ver dessa forma me ajudou muito a passar pelas crises de uma forma mais equilibrada, conseguir respirar com mais tranquilidade, algumas poucas vezes consegui interromper uma crise apenas me acalmando. E isso não seria possível antes dessa transformação.

O Bruxismo é uma questão mais profunda, pois ele acontece enquanto eu durmo. Penso que vou conseguir resolver aos poucos quando me sentir mais confortável dentro de mim.

A vida é feita de ciclos. Tive que me reconectar com as minhas raízes para perceber aspectos da minha vida que nem lembrava mais. A força da minha família e de onde eu vim! Características que eu tinha e que perdi na loucura do dia dia. De voltar a tocar violão, de lembrar dos dias de frio na casa onde eu morava e o cheiro da comida que minha mãe fazia e esquentava toda a casa, deixando os vidros embaçados e todo mundo reunido, rindo. Lembrar do quanto meus pais fizeram, o quanto batalharam e foram valentes me dá uma força de que vai ficar tudo bem. Minha mãe se tornou minha amiga. E hoje a vejo acima de tudo como uma pessoa que passou por muitos e muitos processos na vida, assim como eu. E arrasa com toda sua força de furacão maravilhosa. E me ensina agora a ser um pouco mais como ela.

Perguntei aos meus irmãos como foi crescer na mesma casa que eu. É engraçado porque eu nunca havia perguntado isso, sempre tive a minha visão de crescer sendo a mais nova. Agora eu tenho o ponto de vista deles, como o mais velho e irmão do meio. Somos 3 com personalidades TOTALMENTE diferentes mas que se completam, onde um falha o outro apoia. Eles podem me achar o et da família (as vezes eu me acho) porque eu vivo no meu mundo da lua. Em muitas e muitas situações eu penso totalmente diferente, eu sumo e volto. Mas acredito que eles me amam assim mesmo do meu jeitinho. E eu aprendi a olhar pra eles como pessoas que passaram pelos perrengues da vida como eu e continuam a sorrir. E cada um de nós tem a mesma marca, mas cada um lidou do seu jeito. Eles são, meus diferentes mais iguais, que vai existir no mundo. Vão me pentelhar pra sempre e eu vou amar pra sempre. (Tínhamos que voltar a jogar video game. Mas não vale magia! hahahaha).

Quero agradecer aos amigos que entendem minhas mudanças e meu sumiço (não tá fácil gente). Essas buscas internas me fizeram ver muitas coisas, perdi a paciência para tantas outras e estou com muita saudade esses dias. Existem os que foram embora do país explorar/morar e existem os que moram do lado de casa e parece que não vejo a ANOS. Mas eu posso dizer que meus amigos são uma peça fundamental no meu aprendizado. Tem os que conheço a tantos anos que crescemos juntos e já são família. Tem os que entraram depois mas que são conhecidos de outras vidas, certeza. Tem os que aparecem e somem mas que são sempre conversas de qualidade e risadas certeiras. E para todos vocês, quero agradecer a irmandade e escolher viver junto nesse planeta na mesma hora que eu! Obrigada por todo aprendizado, pelas broncas, pelas brigas, pelas risadas e pelo apoio. Obrigada por abrirem a porta e me servirem breja gelada, pelas sinucas, pelo UNO e pelos abraços sinceros. Sério, a minha vida não teria sido tão incrível sem as pessoas que nasceram em famílias diferentes mas que hoje são conexão.

Eu não acho ruim envelhecer, estou na crise dos 29 mas por um bom motivo. Olhar pra trás e ver tudo que já fui e tudo que colhi e escolhi deixar na minha vida é maravilhoso. Minha sabedoria sobre quem eu estou sendo muda a cada dia (nunca SOMOS nada, ESTAMOS alguma coisa). Tudo isso porque estou nos meus 5% de mudança. Passei uns 4 anos tentando achar meu estilo na ilustração e depois que comecei a vasculhas meus porquês, achei um estilo que estou apaixonada (pode não ser esse ainda, mas estou amando.) E comecei um curso de Design de Superfície que me fez voltar a ser apaixonada pelo Design e estudar horrores. Estou completamente apaixonada. Espero que no futuro eu lance umas estampas exclusivas pro mundo. Ia ser incrível costurar roupas com meus próprios tecidos.

E se tem algo te atrapalhando vai e vasculha como dá pra mudar. Dói, é difícil mas vale a pena. Gotta raise a little hell.

Obrigada a todos pela paciência em ler este texto.

PS: Eu também comecei a ouvir umas músicas estranhas aí. Estão me fazendo TÃO bem. Recomendo a procurarem músicas que fogem um pouco do repertório. As vezes vale a pena :). E eu aviso o que saiu dessa mudança necessária!

Imagine . Crie . Inspire

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1 Comment

  • Reply
    Navarro
    April 27, 2017 at 12:39 pm

    Cara que texto, parabéns Glau! Gostei bastante desse texto, acho que ele reflete de forma honesta e profunda seus sentimentos.

    Fiquei curioso pra saber o que seria o diário de estilo de vida e quais as músicas diferentonas.

    E queria compartilhar que estou na crise dos 29 também 🙁

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