Capítulo 6

Capítulo 6 – Depressão, arte e expressão

Depressão não é frescura. É uma doença séria e deve ser tratada como tal. Ela te acompanha a vida toda e muitas pessoas tem receio de falar sobre isso com suas famílias, amigos e consigo mesmo. Fingem que está tudo bem, mas por dentro tudo parece um furacão pegando fogo. Hoje vou escrever sobre como é conviver com a minha pessoa extra na cabeça. Mas como eu sou eu, este texto estará cheio de fantasia com direito a vilã, mocinha e final feliz. Apertem os cintos e vamos dar um passeio!

Dica amiga: Se você tem esse problema não tenha vergonha, você não é uma pessoa fraca e não pense que falar sobre os problemas é uma perda de tempo. É exatamente falando dos seus sentimentos que algo começa a melhorar. Então converse com alguém de confiança, comece pequeno e procure ajuda. Como eu já disse uma vez. As pessoas são um universo inteiro e todo mundo merece saber que é valioso senão para os outros, pelo menos, para si mesmo.

De pessoa para pessoa os sintomas mudam: Tem gente que come demais, dorme de menos, não sente alegria, esquecem coisas básicas, não enxergam sentido em fazer as coisas que antes amavam fazer. Mas a dificuldade de enfrentar o dia dia é a mesma. A depressão me faz exercitar o cérebro nível monstrão  biirrrl.

Aí vai uma verdade reveladora e libertadora: A vida acontece! ponto. Tudo que eu passei desde criança até hoje foram circunstâncias que eu vivi. Não tem volta. Não tem como mudar. Aconteceu!

Hoje eu vejo e entendo que só se pode conectar os pontos, observando a sua história. Talvez se nada tivesse acontecido comigo eu não experienciaria a vida de uma forma tão intensa. Não daria valor para o que tenho hoje porque conquistei com muito suor. Não me orgulharia de ser quem sou, mesmo com todas as minhas falhas, porque não saberia o valor que eu tenho pra mim. Mas eu só consigo enxergar isso hoje. Antigamente eu não era assim:

Glaucimere é um fantasma que tomou conta do corpo de Glaucia que acreditava não conseguir lutar suas próprias batalhas. Baixou a guarda e deixou a persuasiva Glaucimere tomar todas as suas decisões, pois ela sim sabia se expressar. Mas isso teve um enorme custo. Glaucimere era negativa e sentia muita raiva, mas ao invés de colocar para fora, descontava tudo em Glaucia que chorava todas as noites se perguntando qual era o sentido da sua vida já que era um peso para o universo, para seus amigos, para seus pais e irmãos e que não valia um níquel da bolsa do orc mais fedido do Reino Médio. Fazia Glaucia acreditar que não tinha nenhum potencial, que ela nunca seria algo incrível para ela e nem para ninguém, que ela era uma pessoa feia e burra. Uma completa incapaz. E Glaucia acreditava nisso. Até que alguém a fez duvidar, pela primeira vez do seu fantasma.

Aos 15 anos, Glaucia percebeu que deixar um fantasma no volante não estava fazendo bem para seu então fiel companheiro de aventuras. Ela realmente gostava dele. Sorria com suas piadas sobre equações matemáticas e metáforas. Era inteligente, carinhoso e especial. E Glaucia não podia mais deixar sua fantasma acabar com isso. E foi aí que pela primeira vez depois de muito tempo, tomou controle da direção do corpo e contou a alguém sobre seus problemas.

Com os braços cansados e com a voz trêmula de choro, pediu ajuda para ser puxada de volta da beira do abismo. Foi aos 15 anos que Glaucia pegou seu escudo, sua espada e foi pra luta aos berros dignos de serem seguidos por um exército gigantesco de mini gatos-fofos-voadores (oun) run…you fools. 

Glaucimere, desesperada pela inesperada tomada de decisão da real dona do corpo, usou seu truque mais baixo. Ataque Fantasma da Psique (Baseia-se num golpe que cria uma história ilusória na mente, geralmente falando que você não é capaz ou outras asneiras nesse sentido | Nível 14/18). Mas Glaucia traz consigo um poderoso contra-ataque. Sua teimosia. Não iria desistir assim tão facilmente e então foi dizendo: “não concordo” em um tom de desafio a tudo que Glaucimere falava em sua cabeça, retomando aos poucos, o controle de seu corpo.

Através de sua família, também descobriu o Poder da Arte. Ele se divide em vários pergaminhos de sabedoria, entre eles: desenho, pintura, música, poesia, dança, escultura, fotografia e outros. E todos nós carregamos uma partícula desse poder. Mas assim como muitas coisas, requer treino (treino, treino, treinotreinotreino). Muito eficaz para expressar sentimentos complexos e ajuda no auto entendimento profundo e a combater fantasmas como Glaucimere. Além da Arte, existem muitos outros tipo de armas que podem ser usadas para vencer essa batalha diária. Ser rodeado de pessoas que amo, reencontrar-me com a natureza (deitar na grama e tomar sol de olhos fechados respirando fundo), meditar, me exercitar, ler tudo que posso sobre minha fantasma e assim fazer ela parecer menos assustadora. E compreender que nada que eu faça irá mudar o passado (temos armas boas, mas não TÃO boas) e a que eu ainda estou aprendendo: Não me cobrar por tentar e não conseguir hoje e ter a coragem de tentar novamente amanhã. 

E entender de uma vez por todas que: Num planeta desde tamanho, dentro de um universo, dentro de uma galáxia e dentro de muitos outros espaços que é difícil medir. Eu estou aqui, escrevendo uma história fantasia sobre uma coisa séria e você está lendo. E que isso faz parte do que chamamos vida. Por mais problemas que eu tenha, as coisas incríveis que acontecem comigo ajudam a amenizar as dores.

Nem sei se isso impacta em algo na vida de alguém. Mas se eu tivesse desistido não faria, conheceria e viveria coisas incríveis como: O amor de ser tia, o melhor sorvete artesanal de manga que eu comi na vida na Frida&Mina, as risadas que dão dores na bochecha com a melhor amiga enquanto vemos um filme horrível, eclipse total do sol, cruzar um país de bicicleta, conhecer as melhores Santas por causa do trabalho, ver meus amigos se casando, rir de mim mesma, pintar minha cara, dar conselhos para minha mãe, criar personagens fofos, sonhar em andar em um puff voador (preciso patentear essa ideia), chorar em Guardiões das Galáxias, ouvir Limp Bizkit desde a adolescência e até hoje não saber todas as letras, formar uma banda com meu irmão mais velho, ver meu irmão do meio aprendendo a desenhar e a criar jogos criativos, costurar minha própria roupa, participar de duas exposições, re-assistir Matrix 2 e ver que eu não tinha entendido nada e que agora tudo faz sentido, ver minha sogra tomando shots no ano novo, conhecer pessoas novas e queridas, descobrir que coxinha de jaca é maravilhoso e que goiaba não é assim tão ruim, Friends, Alien vs Predador, John Wick, Capitão Fantástico, Mario Kart, All Star que não molha na chuva, guarda-chuva que fecha ao contrário, a melhor versão de mim que eu posso ser e por fim, fazer 14 anos junto com meu companheiro fiel de aventuras que aos 15 me fez perceber que eu poderia ser alguém incrível para mim mesma. Obrigada!

Glaucia até hoje divide seu corpo com sua fantasma Glaucimere e até que vivem pacificamente. Mas existem dias que Glaucia fica muito cansada e Glaucimere aproveita e toca o terror. Mas logo é repreendida e volta pra salinha do bom comportamento. Como já dizia um sábio macaco de uma outra história fantasiosa:  “Ah sim, o passado pode doer. Mas do jeito que eu vejo, você pode fugir dele, ou…aprender com ele.” Rafiki.

Eu ainda tenho um longo caminho a percorrer, meus desenhos me ajudam muito a colocar pra fora sentimentos, dar significado a ideias e foi um dos pergaminhos do Poder da Arte que eu me identifiquei. Mas claro que a Glaucimere ainda mete seu bedelho nessa área e vive falando coisas horríveis, mas como eu disse no começo, a depressão me faz exercitar o cérebro nível monstrão a ver a vida de um jeito diferente e especial e a me expressar mais (eu sei que eu sou esquisita e está tudo bem :). Diariamente eu preciso me esforçar o triplo para colocar ideias no papel e não parar nunca mais. Só eu sei que cada conquista, por menor que seja, é dia de festa!

Caso saiba de alguém que tenha depressão, incentive uma conversa, preste atenção nesta pessoa. Não ache que é frescura ou que basta falar que “vai ficar tudo bem” e magicamente tudo vai melhorar. Depressão é coisa séria e precisa de tratamento. Você pode conversar com a Edelweiss Souza da Intuição Positiva, ela é hipnoterapeuta e pode ser uma porta para um início. E você pode ver algumas das minhas expressões artísticas no insta e na loja Gvanilla.

E aí? qual arma você escolhe pra combater seus fantasmas? Obrigada por ler este texto.

E muita arte na suas vida tudo!  “A arte e a ciência consistem em tentar compreender” Alberto Giacometti.

Ligue 141 – O CVV – Centro de Valorização da Vida realiza apoio emocional e prevenção do suicídio, atendendo voluntária e gratuitamente todas as pessoas que querem e precisam conversar, sob total sigilo por telefone, email, chat e Skype 24 horas todos os dias. http://www.cvv.org.br/

 Depressão = É o Latim DEPRESSIO, de DEPRIMERE, “apertar firmemente, para baixo”, de DE-, “para fora”, mais PREMERE, “apertar”.

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