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Capitulo 1

    Capitulo 1 Diário de uma medrosa

    Capítulo 1 – Onde tudo começou!

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    Todos nós temos medos. Esse diário de bordo servirá para falar sobre os meus. E quem sabe, também existam outras pessoas navegando nas mesmas águas turbulentas.

    Tudo começou no último ano da faculdade, quando deveríamos pensar em nosso tema do TCC. Nessa época eu não fazia ideia do que queria da vida, do que eu realmente gostava no design. Onde estava a minha paixão em forma de profissão. E eis que um dia, enquanto assistia aos extras de um dos meus DVDs de animação – sim, eu amo ver extras dos DVDs, coisa que hoje em dia está extinto, alô Netflix cadê meus extras? 🙂 – me deparei com o depoimento de uma mulher que trabalhou na produção de Shrek desenvolvendo os figurinos para os personagens. O QUE? Foi como se tudo no meu mundo finalmente tivesse se encaixado. De repente tudo ficou magicamente colorido, florido e funcionando em perfeita sinergia. Era isso que eu queria fazer pro resto da vida. “Quero construir roupas para os personagens de animação DJÁ”. Dediquei 1 ano da minha vida em pesquisa, criação dos meus próprios personagens, suas histórias e claro, sua indumentária. Terminei meu TCC com nota máxima, amor pela história e personagens que havia criado.

    – Uau que história linda e aí o que aconteceu? Aconteceu a vida né gente. Me acomodei com a vida no trabalho em me contentar em pagar as contas fazendo algo que eu gosto de fazer, mesmo sabendo que não era o que eu AMO e assim se passou 7 anos. Aí, aos 27 anos, entra o pânico! Por que raios não segui os planos e comecei uma carreira totalmente diferente? Que eu fiz da vida? Que isso? Como eu fui desperdiçar meus anos de juventude em aprendizado? Eu poderia estar muito melhor nas minhas ilustras e no auge da minha carreira. SOCOOOOORRO!

    Claro que nesse meio tempo investi um pouco do meu tempo para cursar duas maravilhosas escolas de desenho. Vim melhorado meu traço como ilustradora mas eu sei que não é o bastante. E é isso que me faz ter pesadelos durante a noite e faz, todos os dias, me achar um pequeno fracasso pessoal que por tempo demais se autocriticou ao invés de fazer algo produtivo com a vida. E percebi que o meu medo atrapalhou muitas das minhas decisões, mas já chego nessa parte.

    Foi engraçado quando eu parei para respirar, analisar e perceber que todas as escolhas que eu fiz foram culpa minha e puxei pra mim toda a responsabilidade. É quase libertador na verdade. Descobri que a culpa não era das contas para pagar ou das decisões que eu sabia que podia tomar depois porque estava acomodada, de não ter tempo porque estava ocupada assistindo séries para dar um tempo pra minha cabeça cansada.

    Descobri que eu inventava desculpas internas para não lidar com o fato de que eu deixei anos escaparem e a cada dia isso só piorava. Fui construindo uma espécie de bola de neve de pensamentos críticos misturados aos medos que não me levavam a lugar nenhum. Que medos? de largar uma coisa sólida uma carreira que já estava em andamento, descobrir que eu não sou boa o suficiente, de fracassar na coisa que eu mais amo. Eu tenho medo de contar para as pessoas que eu ilustro por não me achar boa o suficiente, veja só onde o problema chega. E vocês podem pensar “Ah mas todo mundo tem medo e mesmo assim seguem a vida é só você ter determinação, foco e seguir em frente e parar de mimimi.” Pois é meu jovem Padawan, cada pessoa é única no mundo e o que funciona para alguns não funciona para mim, na verdade muitas das teorias de foco, criar uma jornada para seguir e ir atrás dos sonhos só me causaram mais frustração quando eu descobri que eu não conseguia seguir um cronograma pessoal ano após ano.

    Cheguei a conclusão que nada acontece se você não atropela o medo de ser genial e diferente em algo que você ama fazer. E isso exige um esforço colossal para alguém como eu, medrosa e definitivamente desorganizada. Já nem conto mais os projetos que comecei e não terminei, isso tenho aos montes. Eu tenho um monstrinho que adora ter ideias e são boas. Mas quando eu tenho algo estruturado, uma ideia pronta pra mandar ver, linda, maravilhosa eu simplesmente tenho medo de que ela cresça e se torne algo que eu não vá conseguir controlar por não saber o que eu to fazendo ou por receber críticas ou porque eu sou inexperiente ou não sou boa como as outras pessoas ou porque….vish e a lista é loooonga.

    O mundo é gigante, creio eu que muita gente não faz ideia do que ta fazendo e mesmo assim está vivendo feliz. Eu não posso me colocar barreiras porque a vida já é cheia delas. Mas então como vencer os medos e conquistar meus sonhos atuais? Acho que é o mesmo que perguntar qual o sentido da vida.

    “Vai e se der medo, vai mesmo assim.”

    Eu sou a Glau, tenho 28 anos e gosto muito de ilustração, animação, formas coloridas, padronagens, tecidos e costura. A verdade é que eu não sei ao certo como lidar com meus medos. Mas estou aqui para tentar uma abordagem diferente. Aliás, medo é o que não falta para uma pessoa com a altura de um Hobbit. Fruto de um passado de baixa autoestima e coisas traumáticas que vou lidar pro resto da vida. O importante é como colocar no caldeirão todo o conhecimento que venho adquirindo sobre a minha consciência, sociedade, cultura e fazer uma boa poção.

    Então aqui está: O diário de bordo de uma pessoa medrosa. Começando a atropelar o medo e expondo ideias (e ilustras). Meu objetivo não é que isso seja um blog de autoajuda pra todos. Mas espero ajudar algumas pessoinhas além de mim, nesse vasto oceano.

    É isso,

    Abraço apertado.

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    PS1: Demorei 2 dias para tomar coragem e postar esse texto.

    PS2. Se vocês gostaram das ilustras, visita a loja gvanilla que tem mais 😉

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