Diário de uma medrosa Edição especial - 1 ano sem comprar roupas

Edição especial – 1 ano sem comprar roupa

 

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No dia 05 de outubro de 2015 eu me fiz uma promessa. Ficar 1 ano sem comprar roupas novas. A jornada teve início depois de ter gasto um bom dinheiro em rede fast-fashion (Forever 21), ao chegar em casa tive uma crise de consciência: O que eu estava tentando preencher dentro de mim ao comprar essas peças de roupas? O que estava precisando de uma revolução?

Definitivamente eu não precisava de mais roupas. Percebi que eu me apoiava nesse tipo de comportamento para aliviar minhas crises de baixa autoestima (pois é). E aí começou a jornada em busca de sentir bem comigo quando estou no meio da crise.

Comecei reavaliando o porque eu me sentia feia ou menos que outras pessoas. E repeti quase que como um mantra: foda-se, ser igual é chato, ser diferente é mais legal. E comecei a perceber tudo em mim, fisicamente, que me fazia eu. O que eu não gosto e dá pra arrumar eu arrumo, senão eu aceito e amo! E não é que deu certo? óbvio que não é 100% do tempo que me amo horrores, mas estou MUITO feliz comigo que a 1 ano atrás. Consigo me olhar no espelho e ver alguém que admiro pela força e pela beleza 🙂

Nesse meio tempo, comecei a pesquisar sobre a indústria da moda e fiquei mais feliz ainda com a minha decisão. Vi o impacto que essas redes Fast-fashion causam no planeta e é assustador. O verdadeiro custo por trás de cada peça de roupa feita por aí. Fiquei conhecendo o acidente em Bangladesh, no Rana Plaza que aconteceu em 2013 e matou mais de 1.000 pessoas que trabalhavam nas fábricas em condições precárias para as redes de fast-fashion. Até que eu decidi assistir um documentário no Netflix chamado “The True Cost”. Duas coisas aconteceram: chorei sem parar e minha decisão de não comprar mais roupas em redes como Forever 21 ficou muito mais fácil.

Meu propósito aqui não é dar lição de moral nem nada do tipo. Acredito que cada um faz o que quer da vida de acordo com sua consciência. Até porque, quem sou eu pra falar qualquer coisa. Mas eu, Glaucia, vendo os dados registrados sobre esse mundo e pelas mulheres/homens que trabalham em situações degradantes não consigo mais olhar para uma roupa como essa e ficar feliz em comprá-las.

No meio disso tudo, comecei a criar minhas próprias roupas, não são lá tudo isso mas são minhas criações (YEI). Acabei o ano com duas saias novas, dois vestidos e um casaco feitos por mim. Aprendi que não preciso de coisas “Da Nova Coleção verão 2016/2017” só porque a indústria diz que sim. Aprendi a avaliar as minhas necessidades e desejos. Comprar algo porque eu conscientemente quero ou porque eu preciso (que é raro na real). E a dar valor a peças de roupas um pouco mais caras, mas que vão durar 1 década e que eu sei de onde veio. (Who made my clothes – Fashion Revolution)

E pro final, eu convido a todos a fazer seus próprios 365 dias. Se você tem aquele desejo de fazer algo e fica enrolando ou acha que não sobreviveria sem aquele vício horroroso. Começa hoje e assuma uma promessa com você!

Foi difícil? foi. Teve tentação? teve. Mas eu posso falar que passar a linha de chegada é extremamente prazeroso. Fechei o ano com mais conhecimento das minhas forças, dinheiro gasto com mais sabedoria e peças de roupas que eu realmente amo e uso.

E um viva a uma conquista pessoal e a esquisitice que nos faz únicos!
Abraços apertados e obrigada pelo tempo de ler o texto 🙂

 

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